Como o estresse pré-natal está ligado à bactérias no intestino do bebê

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O estado emocional da gestante pode influenciar a saúde e o bem-estar do bebê, de forma que o estresse pré-natal possui sérias implicações no desenvolvimento do feto. 

Um estudo recente, publicado no periódico científico internacional Psychoneuroendocrinology, indica a relação entre o estresse pré-natal crônico e os níveis elevados de cortisol capilar (a análise da concentração do cortisol, hormônio relacionado ao estresse, medido em amostras de cabelo) e a composição da microbiota intestinal do bebê.

Esse estudo faz parte do projeto FinnBrain da Universidade de Turku, na Finlândia. Os profissionais envolvidos no estudo investigam como os fatores genéticos e ambientais podem impactar os diversos aspectos do desenvolvimento das crianças. Puderam participar da investigação cerca de 4 mil famílias, e, para a realização das análises, muitas crianças tiveram acompanhamento por muitos anos, até a fase adulta. 

Relação entre a microbiota intestinal das crianças e o estresse 

Embora ainda não se possa conhecer os detalhes dos mecanismos que influenciam a composição da microbiota intestinal, o estudo pôde apontar a correlação entre o aumento dos níveis de cortisol capilar e o aumento das proteobactérias.

O cortisol é um hormônio catabólico, liberado pela glândula adrenal ou suprarrenal (localizada acima dos rins), sendo uma resposta do organismo ao estresse. Assim, o cortisol é liberado em situações de alta tensão e, quando está em quantidade, elevada, pode resultar em sérias complicações para a saúde, como diabetes, hipertensão arterial e depressão. 

As proteobactérias e os lactobacilos estão entre os microrganismos que costumam ser encontrados na microbiota intestinal das crianças. Sendo que os lactobacilos são benéficos ao organismo. Eles estão associados à diminuição de alergias alimentares e casos de constipação e prisão de ventre. Os pesquisadores apontaram a ligação entre baixos níveis de cortisol e maior quantidade de lactobacilos. 

Já algumas espécies das proteobactérias estão relacionadas a danos à saúde, como as inflamações no organismo. Os cientistas também afirmam que as proteobactérias podem, ainda, estar ligadas a um maior risco de doenças na fase adulta. 

Além disso, hoje já se conhece a importância de uma microbiota intestinal saudável. Isso é fundamental para o funcionamento adequado do nosso sistema imunológico. Nos últimos anos, vários estudos têm apontado a ligação dos microrganismos do intestino com a função cerebral nos seres humanos. 

Saúde e bem-estar emocional e mental das gestantes

Esse é mais um motivo para promover a saúde mental e emocional na gravidez. O organismo da gestante passa por uma série de adaptações fisiológicas que podem impactar o seu bem-estar psicológico. Assim, é importante observar os períodos de descanso, além de poder contar com maneiras de lidar eficientemente com eventuais situações estressantes no seu dia a dia. Essas situações causadoras de estresse também podem vir de possíveis questões hormonais, típicas dessa fase.

Atividade física moderada (sempre orientada pelo médico obstetra e um profissional de educação física), como caminhada, yoga e hidroginástica podem ser muito bem-vindas. Além disso, exercícios de respiração e meditação são excelentes para lidar com o estresse e a ansiedade. 

Por isso, é indispensável seguir à risca o cronograma das consultas pré-natais, e conversar abertamente com o médico obstetra. Dessa forma, o profissional pode identificar possíveis riscos à saúde mental e emocional da gestante, adotando os procedimentos necessários para garantir uma gestação saudável para a mãe e o bebê. 

O que você achou da pesquisa? Conte para nós na seção de comentários!

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